Conheça as boas práticas das empresas destaques do Anuário Lixo Zero 2023

Volks, Gomes da Costa, Hyundai e Tetra Pak se destacaram no Anuário de Certificação Lixo Zero (ILZB) ao atingirem metas de gestão de resíduos através do descarte correto e de outras ações que evitaram a destinação para aterros.

Uso de sistemas eficientes de segregação de rejeitos, reciclagem, realização de campanhas de conscientização para descarte correto e reestruturação interna são algumas das iniciativas de sucesso que contribuíram para que Gomes da Costa, Hyundai e Tetra Pak conquistassem a Certificação Lixo Zero. Lançado durante o evento do Movimento Nova Economia, dedicado ao eixo Indústria e materiais, sob o tema “A Nova Economia é Lixo Zero”, o Anuário de Certificação Lixo Zero (ILZB) reúne dados atualizados sobre as empresas certificadas.

As companhias alcançaram o índice de boas práticas na destinação de resíduos acima de 90%, principal exigência para receber o reconhecimento. Os dados ainda apontam os caminhos que o Brasil tem seguido para atingir as metas da agenda sustentável da ONU, evitando a destinação para aterros. A certificação Lixo Zero pretende incentivar os ciclos naturais sustentáveis, onde os materiais são projetados para permitir sua recuperação e uso pós-consumo. 

Ao destacar que é a primeira fabricante de automóveis do Brasil a ser certificada pelo Instituto Lixo Zero Brasil, reconhecida com a certificação Lixo Zero, o supervisor de Meio Ambiente da Hyundai Motor Brasil, Davi Costa Marques (foto) afirmou ao Integridade ESG que a conquista reconhece o trabalho realizado desde 2017, quando a fabricante criou o projeto “Aterro Zero”, na planta do HB20 e do Creta.

“Em menos de um ano, a destinação de resíduos da produção de veículos para aterros foi reduzida a zero”, ressaltou. 

Colaboradores e fornecedores participaram de campanhas de conscientização na Hyundai

O Aterro Zero promoveu campanhas de conscientização ao descarte correto de resíduos com os colaboradores e fornecedores, reestruturação interna dos coletores seletivos para o descarte correto, busca por destinações alternativas aos resíduos gerados e a supressão total do envio de resíduos para aterros. Com o trabalho realizado pelo projeto, cerca de 3,9 mil toneladas de resíduos tiveram destino ecologicamente correto, o que equivale a 3.610 unidades do HB20 e 2.862 do Creta juntos. 

A empresa envia papel, plástico, vidro e metal para reciclagem ou processo de reúso; equipamentos eletrônicos são destinados a programas de manufatura reversa, após serem desmontados, visando a separação de materiais para a destinação correta. Já o lixo orgânico dos restaurantes e do trabalho de jardinagem é encaminhado para a compostagem. Parte do lixo comum e compostos químicos é levado para o coprocessamento, que faz uso desse tipo de resíduo como matéria-prima ou como fonte de energia, substituindo combustíveis fósseis, como o carvão.

O reconhecimento gerado por essas ações, de acordo com Davi Costa Marques, traz “a responsabilidade de seguir sendo a marca que incentiva todo o setor a melhorar sua relação com o meio ambiente, assim como reforça nossa visão de negócio voltada para o progresso para a humanidade”.

Com compromisso global de neutralizar as emissões de carbono por completo até 2045, a Hyundai associa o futuro da sustentabilidade a projetos voltados à Economia Circular e à Descarbonização.

Gomes da Costa investe em reciclagem e compostagem

Em agosto de 2023 a unidade de embalagens da Gomes da Costa foi reconhecida pelo Instituto Lixo Zero Brasil, por alcançar 99,2% no índice de boas práticas na destinação de resíduos. Em outubro, a fábrica de alimentos recebeu a certificação com 97,65% de desvio de aterro e 99,2% no índice de boas práticas na destinação de resíduos. Para 2024, a empresa prevê 99,4% de resíduos valorizados não enviados para aterro na unidade de produção de alimentos e de 99,8% na unidade de produção de Embalagens.  

“Para o ano de 2025, a meta é chegar a 100% de valorização dos resíduos sólidos destinados nas duas unidades”, informa Malu Francine Girardi Pereira, coordenadora de Meio Ambiente da Nauterra, detentora da Gomes da Costa.

“É uma sensação de orgulho e de dever cumprido. Temos a satisfação de participar do Anuário de Certificação Lixo Zero e ter a oportunidade de servir como exemplo de gestão eficiente da destinação dos resíduos sólidos no Sul do Brasil”, afirma Malu Francine Girardi Pereira, coordenadora de Meio Ambiente da Nauterra, detentora da Gomes da Costa.

A líder no segmento de pescados enlatados figura entre as mais bem avaliadas do primeiro Anuário de Certificação Lixo Zero (ILZB) de 2023. Atingiu 97,65% de desvio de aterro na fábrica de alimentos e 99,2% no índice de boas práticas na destinação de resíduos, na unidade de embalagens. 

De acordo com o anuário, a Tetra Pak, multinacional de origem sueca que fabrica embalagens para alimentos, alcançou 95%. Já a montadora Hyundai registrou 93% de conformidade no destino de seus descartes.

Casa Cor e Volks atingem o patamar de 99,9%

O anuário aponta que a Casa Cor, com 99,7% de resíduos destinados, está entre as três mais bem colocadas, ao lado da Gomes da Costa e da Volkswagen, que atingiu o índice de 99,9%. A Certificação Lixo Zero, endossada pelo Instituto Lixo Zero Brasil e validada pela Zero Waste International Alliance, é o selo de excelência para a gestão ambientalmente consciente de resíduos, de acordo com o anuário.

Desenvolvido pela certificadora Zeros e com 83 organizações em destaque, o anuário aponta que a indústria é o setor mais representado, com 44% das certificações conferidas, seguido por 33% de estabelecimentos comerciais, 17% em eventos e 3% direcionados a obras e sets de filmagens.

Entre as indústrias, 39% são de alimentos e bebidas como o Grupo Kopenhagen, Solar Coca-Cola e Campari do Brasil; 24% são automotivas como; e 10% são indústrias de embalagens. Há ainda indústrias de cosméticos, biotecnologia, combustíveis e construção civil, a exemplo de Bema de papel, da Karsten indústria têxtil, da Pet Love alimento animal e da Unifique Tecnologia.

Mateus Peçanha, CEO e founder da Zeros, contou ao Integridade ESG, que o anuário tem duas funções bastante importantes: consolidar essas empresas como precursoras de uma gestão de resíduos correta, de uma gestão de resíduos eficiente, mais visionária; e a transformação através do exemplo.

“É com o exemplo que a gente vai trazer outras empresas para se tornarem lixo zero ou para terem uma gestão de resíduos mais sustentável”. 

Tetra Pak prioriza redução de resíduos 

“Uma gestão de resíduos responsável é prioridade para nós, visamos sempre priorizar a reciclagem, a redução da geração de resíduos e a busca por destinações mais sustentáveis como a compostagem, por exemplo”, explica Salvador Marino Neto, diretor Industrial da Tetra Pak, ao Integridade ESG. 

Ao chamar atenção para o compromisso da empresa com uma economia circular de baixo carbono, que otimiza toda a cadeia de valor para minimizar impactos climáticos, o executivo avalia que a certificação vem reforçar iniciativas da empresa na jornada de sustentabilidade.

Para atingir o compromisso de zero emissões de carbono em suas operações até 2030 e em toda sua cadeia de valor até 2050, a empresa conta com o projeto Aterro Zero, implementado na fábrica de Monte Mor (SP) em 2022. O programa permite que 100% do resíduo gerado seja reciclado ou reaproveitado em novos processos dentro ou fora da fábrica. 

“Desde a implementação, o projeto envia mensalmente cerca de 5,93 toneladas de resíduos para a composteira, sendo 3,5 toneladas de adubo de sobras de alimentos e podas de jardim”, afirma o diretor, destacando que a iniciativa reduz em 95% a emissão de gás carbônico, a partir do manejo de resíduos de 107 toneladas por ano.

Na planta de Ponta Grossa (PR), o lixo orgânico vira adubo e gera energia para a cidade. A companhia, que tem parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, destina resíduos orgânicos para a Usina Termelétrica a Biogás da cidade. Cerca de 5,29 toneladas de resíduos orgânicos contribuem com a geração de 1.440 kWh por mês para prédios públicos da cidade. 

Já o digestato, material que sobra do processo de produção do biogás, é utilizado para adubação e irrigação da vegetação de espaços públicos. Os resíduos orgânicos provenientes de poda chegam a uma média mensal de 0,5 tonelada, que é destinada para compostagem. Nesse caso, 100% do resíduo gerado é reciclado ou reaproveitado nos processos dentro ou fora da fábrica.   

“Acreditamos em uma economia circular de baixo carbono, que leve uma mudança no uso de materiais fósseis de alto carbono para materiais renováveis de baixo carbono”, destaca. 

Meta é ter 250 certificadas em 2024

Para o CEO da Zeros, o anuário vem consolidar um crescimento que passou de 40 certificados em 2022 para 119 em 2023, e mostrar que existe espaço para destinar corretamente os resíduos.

“Nosso objetivo esse ano é ter 250 empresas locais certificadas”, adianta Peçanha.

No Brasil, onde a gente tem 4% apenas de destinação de resíduos, essas empresas literalmente viraram o jogo e conseguiram chegar a um nível de eficiência máxima. Segundo ele, 84 mil toneladas de resíduos foram auditadas, e mais de 90% da média disso encaminhado corretamente. 

Ao Integridade ESG, Carla Hoffmann, CEO da AWA Growth Partner e fundadora do Movimento Nova Economia, disse que “poder mostrar o desenvolvimento de uma nova economia a partir do resíduo é emblemático porque mostra o quanto o problema de um determinado setor é uma solução, se a gente olhar isso sob uma perspectiva de oportunidade econômica, que é o aspecto principal pro movimento Nova Economia”. 

Diante do aumento considerável do número de empresas certificadas, Hoffmann acredita que estamos em um momento de amadurecimento das práticas de gestão das empresas no país.

“Quanto mais bem estruturada e desenvolvida estiver a cadeia de valor, mais viável é para as grandes organizações fazerem esse manejo adequado”, conclui.

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